A cada dia que passa vamos ficando mais velhos, portanto mais seletivos, e nos irritamos mais facilmente com aquilo que não nos agrada. Não é uma questão de ser rabugento. A vida está passando e estamos ficando sem tempo para ter paciência com determinadas pessoas ou situações que nos tiram do sério.
Uma dessas situações que fazem despertar em mim o mais puro ódio é, mais uma vez ou muitas delas, relacionado ao transporte coletivo. Se trata de um mal irremediável que está diretamente ligado ao ser humano: O bafão.
Você, com total e absoluta certeza, já passou por essa situação: Manhã de chuva, não importa se torrencial ou apenas garoa fina, seu ônibus depois de 40 minutos de espera finalmente chega. Por fora, você só enxerga vultos em uma névoa, mas você tem que entrar porque já está atrasado para chegar no seu destino. E então, quando entra, suas narinas são abraçadas por aquele ar nojento, que é um misto de espirros, tosse, flatulências e respirações de bafos de dentes não escovados pela manhã que eu resumo na palavra bafão. Mas não se engane: Bafão não é um bafo grande, é o bafo do povão. E aí você tem que passar mais de uma hora nesse ninho de bactérias e vírus até chegar ao seu trabalho por causa da chuva.
Vá lá que volta e meia uma boa alma entende que o ambiente é complicado e abre uma pequena brecha na janela. Mas isso não resolve! No meu caso, se estou sentado na janela, abro ela toda. Comigo não tem essa, prefiro tomar chuva na cara e respirar um ar no mínimo puro do que sentir esse cheiro insuportável de respiração misturada, que é o que realmente me incomoda nesse processo todo: o maldito fedor.
E se você acha que a situação não pode piorar, espere só a hora de voltar e adicione aí o fator cecê de pessoas que não usam desodorante.Vá lá que algumas religiões não permitem o uso de desodorante, ou realmente a pessoa não possa usar em função de alguma doença, mas estou falando aqui do cara que simplesmente não é higiênico. Esse mesmo que quer agredir ou que não tem amigos para dar um toque ou por relaxo mesmo.
Mas toda essa revolta, eu guardo em um comportado silêncio dentro dessa câmara de gás bafão, esperando loucamente pelo meu ponto que parece estar longe de chegar.
Juro que estava pensando em concluir esse post de revolta com algum tipo de campanha “Doe um desodorante” ou “Abra uma janela na chuva”, mas depois do último parágrafo isso nunca dá em nada então fica aí apenas desabafo desse perrengue que você vai passar enquanto precisar do transporte público.
