Maluca 1

Postado por Renan em 16 - dez - 2009

Dessa vez eu estava sentado em um banco normal, terminando de ler o meu A Lista de Schindler, mas aí bateu aquele sono de quebrar pescoço de tanto que a cabeça pesa. Acabei por quardar o livro e recostar no banco, que ficava na janela, e tirar aquele cochilo de olho aberto. Acordei meio sonolento na metade do caminho, o banco estava confortável, não havia ninguém roubando meu espaço então resolvi continuar de olhos fechados. Foi quando o ônibus parou no terminal. Senti um cutucada na canela seguida de um pedido:

- Meu filho, deixa eu sentar aí.

A princípio ignorei. Pensei comigo: estou de fone, de olhos fechados, a cadeira não é para idosos ou derivados. Vou fingir que estou dormindo sem piedade alguma. Foi aí que senti mais uma cutucada na perna abri os olhos e vi a pessoa. Uma maltrapilha na pegada mendiga suja que não via um chuveiro desde o impeachment do Collor. E mais uma vez repetiu:

- Meu filho, deixa eu sentar aí, eu preciso sentar.

Se fosse apenas isso eu ainda permaneceria no meu lugar. Agora o fato dela ter escarrado no espelho depois da segundo súplica foi um fator decisivo para que levantasse. Liguei o alerta de maluco no máximo, levantei na pressa e a Mendiga começou o show:

- Eu tenho que tomar banho 3 vezes por dia. Porque eu gosto de ficar limpa. Vou abrir esse vidros pra respirar, porque o bafo de vocês fede muito. Não gosto de bafo. E eu falo pra minha neta escovar os dentes e tomar banho pra não ficar igual vocês, seus fedidos.

Seguiu-se outra catarrada, dessa vez no chão. E o pessoal em volta caiu na risada(Juro que não entendi o porquê!). Cena feita, a Mendiga começou a domir e roncar, algo que não me surpreendeu. Eu estava com a atenção nela, pois fiquei perto(Onibus lotado!) e precisa observar o que ela poderia fazer. Porque você sabe. Maluco é igual bomba-relógio sem timer, uma hora explode, então é bom ficar de olho. E nessa você tem que evitar ao máximo olhar para outras pessoas, pois os free-talkers estão com a boca espumando esperando para que alguém dê atenção para comentar o ocorrido. E foi só um deslize meu. Passei a vista e a senhora que estava na minha frente, desesperada por atenção, lançou:

- A gente sente dó né. Não sabe se é culpa do marido ou dos filhos, a pessoa chegar numa situação dessas.

Concordei com um simples “pois é”.

E agora além da mendiga maluca, eu tinha que desviar atenção da free talker. Resultado óbvio, torcicolo. Que é claro, vale mais que um small-talk ou uma catarrada.

Dessa vez eu estava sentado em um banco normal,

terminando de ler o meu A Lista de Schindler, mas aí

bateu aquele sono de quebrar pescoço de tanto que a

cabeça pesa. Acabei por quardar o livro e recostar no

banco, que ficava na janela, e tirar aquele cochilo de

olho aberto. Acordei meio sonolento na metade do caminho,

o banco estava confortável, não havia ninguém roubando

meu espaço então resolvi continuar de olhos fechados. Foi

quando o ônibus parou no terminal. Senti um cutucada na

canela seguida de um pedido:

- Meu filho, deixa eu sentar aí.

A princípio ignorei. Pensei comigo: estou de fone, de

olhos fechados, a cadeira não é para idosos ou derivados.

Vou fingir que estou dormindo sem piedade alguma. Foi aí

que senti mais uma cutucada na perna abri os olhos e vi a

pessoa. Uma maltrapilha na pegada mendiga suja que não

via um chuveiro desde o impeachment do Collor. E mais uma

vez repetiu:

- Meu filho, deixa eu sentar aí, eu preciso sentar.

Se fosse apenas isso eu ainda permaneceria no meu lugar.

Agora o fato dela ter escarrado no espelho depois da

segundo súplica foi um fator decisivo para que

levantasse. Liguei o alerta de maluco no máximo, levantei

na pressa e a Mendiga começou o show:

- Eu tenho que tomar banho 3 vezes por dia. Porque eu

gosto de ficar limpa. Vou abrir esse vidros pra respirar,

porque o bafo de vocês fede muito. Não gosto de bafo. E

eu falo pra minha neta escovar os dentes e tomar banho

pra não ficar igual vocês, seus fedidos.

Seguiu-se outra catarrada, dessa vez no chão. E o pessoal

em volta caiu na risada(Juro que não entendi o porquê!).

Cena feita, a Mendiga começou a domir e roncar, algo que

não me surpreendeu. Eu estava com a atenção nela, pois

fiquei perto(Onibus lotado!) e precisa observar o que ela

poderia fazer. Porque você sabe. Maluco é igual

bomba-relógio sem timer, uma hora explode, então é bom

ficar de olho. E nessa você tem que evitar ao máximo

olhar para outras pessoas, pois os free-talkers estão com

a boca espumando esperando para que alguém dê atenção

para comentar o ocorrido. E foi só um deslize meu. Passei

a vista e a senhora que estava na minha frente,

desesperada por atenção, lançou:

- A gente sente dó né. Não sabe se é culpa do marido ou

dos filhos, a pessoa chegar numa situação dessas.

Concordei com um simples “pois é”.

E agora além da mendiga maluca, eu tinha que desviar

atenção da free talker. Resultado óbvio, torcicolo. Que é

claro, vale mais que um small-talk ou uma catarrada.

Um Passageiro para“ Maluca 1 ”

  1. Ricardo
    diz:

    hehehe (desculpe pela risada, sei que foi algo trágico) rs

    Encontrei seu blog sem querer, mas já me senti convidado a embarcar. Favoritei aqui pra ler outros posts depois. Criativo e muito legal, gostei!
    ^^

    ** entrega passagem **

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